Em sua pesquisa prática em pintura, Dercy desenvolve investigações centradas na experimentação de materiais e procedimentos físicos. O artista utiliza elementos diversos como resina acrílica, tintas industriais e pigmentos sobre tela. Nos últimos anos, tem provocado intencionalmente o confronto entre substâncias incompatíveis, misturando tintas à base de solvente com tintas à base de água. Esse embate de materiais não consanguíneos — que associa ao termo “fiasco técnico” — interessa-lhe especificamente pela produção da “falha”: uma reação química que resulta em um corpo pictórico imperfeito, repleto de rugosidades, transparências e espessuras. Nessa superfície texturizada, [Nome] não mascara a presença de sua mão e insere imagens apropriadas do mundo real de forma isolada, imperfeita e desconexa. Ao promover esses encontros improváveis sobre a tela, utiliza a imagem não como um fim em si, mas como um meio para romper com narrativas fáceis e literais, convidando o observador a atravessar a primeira camada visual e a se deparar com a força autônoma dos valores matéricos e procedimentais do corpo pictórico.