
O que não volta — permanece de outro modo.
Esta exposição não documenta transformações. Ela as incorpora.
As obras partem do rasgo, da sobreposição, da camada que não cobre — mas revela. Aqui, a ruptura não é falha a ser corrigida: é linguagem. É o lugar onde o processo ganha nome.
Há um trânsito que não cessa — entre interior e exterior, entre silêncio e gesto, entre o que se perde e o que se reinventa. As superfícies não escondem suas marcas: vestigiam apagamentos, guardam experiências que não se resolvem, mas que persistem com uma integridade própria.
Não se trata de concluir. Trata-se de sustentar o que está em trânsito.
Borges escreveu que “pensar é apagar diferenças” — e é nesse limiar que a exposição se instala. Como uma aporia que todo pensamento já conhece: a linguagem opera como forma lógica, tensionando a correlação entre palavra e mundo, entre matéria e sentido. É nesse horizonte que Nadia apresenta seu objeto-poema — não como resposta, mas como operação.
Inspirada em Fronteras / Borders, de Gloria Anzaldúa, a exposição propõe uma virada: a fronteira não é limite — é campo. Estar entre não é exceção, é condição. É onde a identidade não se define apesar das rupturas, mas por meio delas. Onde a multiplicidade não fragmenta — ela constitui.
Venha habitar o entre.