ENTRE(NÓS)
Bruna Rinaldi
Azeite de Leos
Vitor Mazon
Curadoria Loly Demercian
A próxima exposição ENTRE(NÓS) na Casagaleria e oficina de arte, no projeto 2+1 (duas individuais e um convidado) contará com Bruna Rinaldi e Azeite de Leos nas individuais e Vitor Mazon como convidado.
Pensando no título da exposição, o porquê dos parênteses em Nós? O que está no entre? É uma reflexão do não dito, do não observado. Por outro lado, esses entrecruzamentos situam, também, alguns fenômenos estéticos tratam de nos oferecer uma interrogação essencial. A paisagem, do mundo visível, dissecada, seccionada, reduzida à sua estrutura, alguns avessos, assim como roupas usadas pelo ser, visões de intimidade e, para completar, frases ou sussurros de pensamentos flutuando entre as coisas de um mundo único. São impermanências projetando outras impermanências. Buscam uma ordem: as séries da Bruna Rinaldi, desdobram material, suporte, mídias em um mapeamento do ser que vive hoje entre essa materialidade e a interrogação do próprio ser enquanto Ser: essências, formas e tensões. Recortes, torções, alongamentos, enfim, faces a nós veladas, mas que nos indicam a humanidade lírica, às vezes, cética, outras, humorada. Esses aspectos não construiriam uma linguagem artística significativa se um vigor imagético não pairasse nas obras e não irrompesse num sistema de correlações, próprio das artes plásticas. Uma imagem dotada de opacidade na luz, com paisagens de corpos (destituída de individualidade) transforma esses corpos em paisagem a ser explorada pelo expectador, corpos que não se unem, formando traços, desenhos. Seu objeto não é a realidade, isto é, uma estratégia receptiva transitiva que usa a imagem para finalidades comunicacionais transcendente, nem tampouco visa o universo dos símbolos visuais e do sentido alegórico. Seu único objeto é a imagem fotográfica em si. Os corpos fotografados pela artista parecem territórios, planícies, encostas de uma paisagem, o apagamento do individuo como ser social.
Já Azeite de Leos nos apresentará monotipias e desenhos, que tecem inúmeras relações: proximidades, distanciamentos entre os volumes, demarcações espaciais, cheios e vazios. Mas, nessas interações entre todos os elementos da visualidade criada, irrompe reflexos da materialidade da obra que convertem a paisagem numa atmosfera melancólica quase se desfazendo.
Já as paisagens do artista Vitor Mazon, subjacente a todo pensamento expressado nas diversas séries de Vitor traz o fato raro na arte de hoje, em que as formas prontas são apropriadas sem que haja interrogação alguma quanto ao procedimento. A surpresa nessa descoberta logo é desvelada, uma vez que o artista realizou inúmeras pesquisas sobre as tensões lineares percebidas nas sobreposições de lixas.