Segundo o teórico dinamarquês Simon Sheikh, o campo da arte transformou-se num campo de possibilidades de intercâmbio e análise comparativa. Ele tem se transformado numa área de pensamento, de alternatividade e pode agir como intermediário entre diferentes pensamentos e modos de percepção, como também entre posições e subjetividades.
Nesse sentido, as artistas Debora Knittel, Eliane Matos, Lilian Grunebaum, Mariane Chicarino e Bruna Rinaldi se reuniram em tempos de pandemia, juntamente com o professor Dimitrov, e puseram em prática suas experiências cotidianas e seus modos de ver os impactos causados pela pandemia em expressões artísticas, cada uma com sua especificidade. Não mais em uma produção artística, mas na articulação de pensamentos que percorrem a comunicação visual – não exclusivamente – de pensamentos sutis no contemporâneo.
As artistas tiveram como norte a memória e lembranças de um tempo que passou ou de um tempo que ainda tende a ficar. Como destacou Walter Benjamin, “[…] a lembrança é o complemento da ‘vivência’, nela se sedimenta a crescente autoalienação do ser humano que inventariou seu passado como propriedade morta. No século XIX, a alegoria saiu do mundo exterior para se estabelecer no mundo interior. A relíquia provém do cadáver, a lembrança, da experiência morta que, eufemisticamente, se intitula vivência.”
As produções das artistas se deram fundamentalmente sob os impactos da pandemia, procurando dar formas às suas culturas e ancestralidades, resultando nos pensamentos mais profundos. Criaram-se produções estéticas nos mais variados conceitos artísticos. Uma verdadeira catarse de sentimentos e aprofundamento em suas pesquisas. Suas singularidades são explícitas na medida certa.
Eliane Matos se formou em Design de Moda. Sua criatividade de construção estética é oriunda de uma perspectiva espiritual. Situando-a na história da arte, verificamos que Eliane tem como norte a pintura como processo, partilhando a necessidade de se expressar através do ato imediato e espontâneo de pintar. Como representantes desse modo de ver a pintura, destacam-se Rothko, Pollock e Newman. Na Action Painting, o gesto e a pincelada – no caso de Eliane, o dedo – expressam-se mais a si mesmos do que a qualquer outro significado que lhes seja exterior; o processo de pintar representa o conteúdo da pintura.
Loly Demercian