Eram 14 horas, num dia qualquer do verão. Entrei no ateliê da artista Ana Carmen. Bateu um cheiro de mel misturado com vela; uma sala com um espaço generoso para a circulação, uns setenta metros quadrados, e paredes cobertas por obras de arte. Algumas frestas escondiam um canto repleto de memórias de vida.
Nesse ambiente é impossível não se transportar para dentro dos quadros, observando os detalhes dos céus azuis, das flores, florestas, folhagens, autorretratos, momentos vividos, sonhados, imaginados. São suas visões de mundo, mas, paradoxalmente, não é o que ela vê, mas como ela o percebe. Com as diferentes qualidades da textura da encáustica, ela recria o fenômeno percebido no espaço e nos transporta para dentro de seus devaneios, bem devagar, envolvendo-nos com a luz, as cores e as texturas, escavando as memórias do seu universo sensível.
Nessa atmosfera fiz a curadoria da exposição da artista Ana Carmen Nogueira.
Loly Demercian