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Exposição

Campo de Silêncio: luz, profundidade e paisagem de retorno | André Miagui

Campo de Silêncio: luz, profundidade e paisagem de retorno

André Miagui, São Paulo, 1947

A Casagaleria apresenta a exposição Campo de Silêncio: luz, profundidade e paisagem de retorno, entre 26 de agosto a 26 de setembro p.f.

A nova pesquisa do artista André Miagui quer nos conduzir aos horizontes desconhecidos da origem do ser, ao construir um percurso imaginário. Articula visualidades numa criação ficcional, em busca de lugares nos quais o indivíduo vê uma projeção da vida.

André interroga os inícios verdadeiros do indivíduo, o acontecimento que o faz existir no mundo. O episódio impensável se oferece no silêncio e na estranheza desenhados em pedaços de paisagens de um mundo que sempre existiu. São territórios fantásticos carregados de interrogações sobre o desconhecimento do princípio:- campos iluminados parecem marcados de memória ancestral da humanidade. O visitante é convidado a imergir ali, atravessando fendas, montanhas, superfícies em suspensão, inebriado por emissões luminosas,- índices da casa primordial, onde a presença ecoa em nossa autêntica constituição.

As expressões de paisagem não indicam o acontecimeto como destino do indivíduo. Buscam, outrossim, situar perceptivamenteo o movimento contínuo que impulsiona o humano a ultrapassar limites, sejam geográficos, sejam ontológicos. É nesse território que Miagui inscreve a pesquisa que ora expõe em Campo de Silêncio: luz, profundidade e paisagem de retorno.

Miagui não tece simplesmente paisagens imaginárias. Situa, em sua linguagem, um espaço de investigação sobre o ser a partir do acontecimento. Luz, profundidade correlacionam-se em atmosferas de silêncio num mundo em suspensão, com vestígios de um futuro que ainda ocorrerá.

A paisagem não é cenário, transforma-se em um campo aberto de investigação, onde o olhar se desloca, a percepção ultrapassa o visível e a imaginação pode operar como instrumento de reconstrução.

Por fim, lembremos do pensador Felix Guattari[1] que, diante da crise dos modos de existência contemporâneos, afirma ser necessário produzir novas formas de subjetivação e reinvenção de relações entre indivíduo, coletivo e ambiente.

André Miagui, em Campo de Silêncio: luz, profundidade e paisagem de retorno, parece ir na mesma direção do pensador ao propor uma origem, à qual retornamos como um relançar-se ao mundo presente sem o que não soubemos nomear durante “o evento crítico, o acidente soberano, o dilaceramento que revela a latência incontrolável e que dá acesso aos fundamentos fugidios e abissais”[2].

Enfim, retorno a outras formas de existir e produzir linguagem.

 

Carmen Aranha e Loly Demercian

[1] Guatari, Felix.

[2] Didi-Huberman, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Editora 34 Ltda.2010. P. 23.

 

 

ARTISTA

André Miagui

Miagui iniciou suas produções em 1999 e elegeu o giz pastel como seu principal material e sua pesquisa e obras famosas da arte clássica europeia. Atualmente debruçado em fazer o público passear pela história da arte e refletir sobre o uso da internet, Miagui toca no ponto da era digital em caráter crítico. Na coleção Zeitgeist tema do filósofo Hegel sobre o “espírito do tempo” a pesquisa se coloca na tentativa de modernizar o passado, apresentando ao público momentos de maestria destes pintores de uma era sem internet. Para deflagrar essa leitura ele coloca nos olhos uma placa de computador, como um lugar no qual o tempo presente se estende às memórias, percepções, ao imaginário, projetando-os em modos de como a história das visualidades sedimenta a cultura da humanidade e ali naquela placa será essa memória universal. Mais intrigante é o trabalho “Nascimento de Adão”: quem está com a placa de computador nos olhos é o homem e não seu criador e também no trabalho que tem várias aves silvestres; os olhos das aves estão abertos e eles acham a placa de computador e a levantam como um troféu. O adorno tanto pode vestir no sentido de proteger um indivíduo, dando-lhe poder e força, quanto o excesso de ornamento pode despir uma personalidade. Fica a questão para se decifrar: espírito do tempo?
Tempo esse que Miagui nos faz pensar na arte, ciências, técnica e tecnologia em todas as épocas da civilização humana , desde a Antiguidade, Idade Média, Renascença até o inicio da modernidade e da era digital, tiveram como base a natureza enciclopédica do conhecimento. Bibliotecas essas imaterializadas hoje nos fluxos digitais de arquivos pessoais e compartilhadas em rede.

OBRAS

Da série: Nach Hause Kommem

Da série: Nach Hause Kommem | 2026
Bastão em óleo e pigmentos sobre linho
135 x 155 cm

Tenho interesse
Nach Hause Kommen part. 6

Nach Hause Kommen part. 6
2020
Bastão em oleo sobre papel whatercolor 220gr.
104 x 214cm

Tenho interesse
Da série: Nach Hause Kommem

Da série: Nach Hause Kommem
André Miagui
2026
160 x 230 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Da série: Nach Hause Kommem

Da série: Nach Hause Kommem
André Miagui
2025
115 x 115 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Nach Hause Kommem

Nach Hause Kommem | 2026
André Miagui
143 x 143 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Nach Hause Kommem

Nach Hause Kommem | 2026
André Miagui
143 x 143 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Nach Hause Kommem

Nach Hause Kommem | 2026
André Miagui
143 x 143 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Nach Hause Kommem

Nach Hause Kommem | 2026
André Miagui
115 x 115 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Nach Hause Kommem

Nach Hause Kommem | 2026
André Miagui 
115 x 115 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Nach Hause Kommem

Nach Hause Kommem | 2026
André Miagui
115 x 115 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho 

Tenho interesse
Nach Hause Kommem Dois

Nach Hause Kommem | 2026
André Miagui 
115 x 115 cm
Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho

Tenho interesse
Nach Hause Kommem

Titulo : Nach Hause Kommem

Artista : André Miagui 

Ano : 2025

Medidas 115x115

Técnica : Óleo em Bastão e pigmentos sobre linho

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